OS POBRES NA PAN-AMAZÔNIA

Paulo Sérgio Vaillant, Francisco Almenar

Resumo


A Pan-Amazônia engloba toda a região banhada pelo rio Amazonas e seus afluentes, com carateríticas próprias e comuns, que devem ser contempladas e pensadas “desde dentro” se queremos realmente colaborar na melhoria de vida dos seus povos e dos benefícios que esta região traz ao mundo. A região pan-amazônica é formada por nove países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana Inglesa, Peru, Suriname e Venezuela) e atinge dez Estados brasileiros (Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins). A pobreza segue aumentando cada dia mais ao ritmo do crescimento e do acúmulo da riqueza nas mãos de nações e pessoas “ricas cada vez mais ricas e de pobres cada vez mais pobres”. Na Amazônia, este fenômeno da globalização do capitalismo neoliberal não é diferente: cresce e se desenvolve sempre mais, causando uma enorme desigualdade geradora de pobreza, miséria e exclusão. Em nossa análise na Equipe Itinerante, depois de alguns anos de observação navegando rio abaixo e rio acima, visitando centemas de comunidades, aldeias e famílias e conhecendo um pouco a história desta encantada e cobiçada Amazônia, detectamos três tipos de sujeitos sociais mais excluídos na Amazônia, que formam uma histórica massa de empobrecidos: Ribeirinhos, Indígenas e Marginalizados Urbanos. Estes três sujeitos históricos têm entre si uma profunda relação que gera um sujeito que denominamos como “os pobres na Pan-Amazônia”. Esta pobreza caracteriza-se, historicamente, em forma de abandono/exploração, perseguição/extermínio e exclusão/violência, respectivamente. Com exceção de alguns povos indígenas nativos e algumas comunidades ribeirinhas de migrantes, estes sujeitos se interpenetram nos três espaços citados anteriormente. Muitas comunidades ribeirinhas são formadas por ribeirinhos e indígenas. Muitas aldeias indígenas, por sua vez, são formadas por indígenas e ribeirinhos. Hoje, quase vinte mil indígenas, somados com milhares de ribeirinhos, vivem na cidade de Manaus (AM), formando uma multidão de pobres que denominamos de Marginalizados Urbanos. Esta cidade tem aproximadamente 1,7 milhão de habitantes e é uma das metrópoles brasileiras que continua crescendo em torno de 10% ou mais ao ano, sem oferecer um plano urbanístico capaz de acolher tanta gente que vem para a capital da Zona Franca à procura de melhores condições de vida. A Organização das Nações Unidas (ONU) e diversas entidades científicas, ecológicas, culturais e religiosas vêm alertando nas últimas décadas sobre o grave perigo que vem afetando a água em nosso planeta, apontando o século XXI como aquele que poderá vir a ter guerras pela posse da água doce. Acompanhando a vida dos pobres nesta região de maior concentração de água doce do planeta (20%) e do Brasil (80%), constatamos diversos conflitos que justificam esta suspeita, tanto no interior como nas cidades.

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DOI: http://dx.doi.org/10.25247/2447-861X.2007.n226.p9%20-%2026

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Cadernos do CEAS: Revista Crítica de Humanidades
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