COOPERATIVISMO NOS DEBATES E PRÁTICAS SOCIALISTAS: AS UTOPIAS ENCONTRAM O SOCIALISMO CIENTÍFICO?

Antonio Julio De Menezes Neto

Resumo


trabalho humano é uma relação social que vai muito além do emprego ou da ocupação, envolvendo as dimensões educativas, culturais, sociais, políticas econômicas e artísticas. Mas, como o capitalismo tudo transforma em mercadoria, o próprio trabalho humano adquire um formato negativo de exploração e alienação, pois se converte em mercadoria produtora de mais-valia. Ao longo da nossa história social, conhecemos uma alocação de forma diferenciada entre o saber e o poder, o fazer e o pensar, a teoria e a prática, a produção social e a educação. O trabalho, como a relação fundamental entre o ser humano e a natureza, identifica-se com a essência humana, pois o ser humano diferencia-se dos animais por produzir conscientemente seus meios de vida. Desde o início da modernidade capitalista cada operação do trabalho tornou-se mais e mais subdividida, formando e deformando um trabalhador fragmentado. Os conhecimentos dos diversos trabalhadores foram transferidos e controlados pelo capital e o trabalhador passou a executar tarefas exigidas pela gerência, enfatizando a submissão do trabalhador. No entanto, os trabalhadores sempre buscaram alternativas para sua emancipação social. E as diversas experiências de cooperativismo que procuraram romper com a clássica divisão social do trabalho aparecem nos movimentos de trabalhadores e nos movimentos sociais das classes populares. Neste sentido, este artigo busca apresentar os debates teóricos socialistas acerca da possibilidade de superação da divisão capitalista do trabalho pelo cooperativismo emancipatório, considerando que nos últimos 150 anos a opção cooperativista esteve presente tanto na gestão do capital como nas alternativas socialistas. A opção cooperativista habitou programas partidários conservadores e revolucionários. Na prática, existe o cooperativismo de produção, de consumo e de crédito. As cooperativas de produção indicam uma produção em comum, sendo menos presente nas relações sociais de produção capitalistas, e as cooperativas de comercialização, mais difundidas, seriam decorrentes desta. Isto porque as cooperativas de comercialização não colocam em questão a propriedade privada, ao passo que as cooperativas de produção podem assumir-se como uma alternativa ao sistema assalariado e patronal. Assim, o cooperativismo é usado para definir diferentes projetos sociais, políticos e econômicos. Aparece como a possibilidade de ser a “Terceira Via” dos políticos reformistas e incrementar a produção capitalista. Ou, por outro lado, como uma das possibilidades do autogoverno dos trabalhadores, dentro da concepção socialista.

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DOI: http://dx.doi.org/10.25247/2447-861X.2006.n224.p35%20-%2047

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