LATIFÚNDIO, REFORMA AGRÁRIA E POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O CAMPO BRASILEIRO NA CRISE SISTÊMICA (1994-2015)

Joaci de Sousa Cunha

Resumo


Este artigo discute as interfaces da crise sistêmica do capital com o processo de reprodução da estrutura latifundiária no Brasil. Refletindo essa problemática, identifica as articulações do capital financeiro especulativo com a agro-minero-exportação na apropriação dos recursos ambientais do país, o que, dentre outros aspectos, vêm violando e restringindo a aplicação das políticas públicas sociais destinadas aos povos do campo mesmo durante os governos Lula e Dilma, e que tende a se agravar com a assunção do governo Michel Temer. A análise busca demonstrar a influência da agropecuária empresarial e da mineração sobre as políticas públicas agrária e agrícola, setores que passaram a compartilhar com os bancos e as corporações ligadas a construção pesada e ao petróleo, a condição de atores hegemônicos da economia brasileira. A medida em que a agro-minero-exportação ganhou essa dimensão configurou-se uma dependência político-econômica estatal cada vez maior em relação aos capitais que exploram diretamente a natureza. Como consequência desse processo, o latifúndio reforçou a sua posição de eixo dominante de reprodução do capital no Brasil, tornando-se também um campo privilegiado da associação subordinada e submissa do capital nacional ao capital estrangeiro, pela qual o país exporta sob a forma de commodities os seus recursos naturais estratégicos, sem qualquer planejamento soberano.


Palavras-chave


Crise estrutural. Latifúndio. Políticas públicas rurais. Agronegócio. Reforma agrária.

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DOI: http://dx.doi.org/10.25247/2447-861X.2016.n237.pp.%20196-224

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