SALVADOR CIDADE DEFICIENTE: O ACESSO ÀS PRAIAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA

Milton Silva Vasconcellos

Resumo


Este artigo analisa a acessibilidade para pessoas com deficiência física às praias da orla de Salvador que integram as mais recentes políticas públicas voltadas à urbanização da orla da cidade. Discutindo a questão da deficiência, adota-se o debate sobre a superação do modelo biomédico de deficiência para o modelo social, com vistas a se alcançar uma perspectiva de deficiência como um atributo da pessoa. Em sequência, analisa-se os aspectos principais das duas últimas políticas públicas voltada a urbanização da orla de Salvador realizadas pelo Estado e Município, aferindo em sequência o nível de acessibilidade de acesso das pessoas com deficiência física a esses espaços, tendo como parâmetro os critérios previstos pela norma técnica de acessibilidade a equipamentos urbanos NBR 9050, além da realização de entrevistas e observação direta. Como resultado encontrado, identificou-se a realidade de falta de acessibilidade para pessoas com deficiência física às praias de Salvador, traduzido pela presença de poucos equipamentos públicos existentes com efetiva utilidade para viabilizar a acessibilidade nestes locais, expressando assim uma acessibilidade meramente formal, bem como uma percepção diferente sobre “frequentar às praias” por estas pessoas, consolidando assim o fenômeno do “usuário televisão de cachorro”.

 


Palavras-chave


Pessoa com deficiência física. Acesso às praias. Acessibilidade. Salvador

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DOI: http://dx.doi.org/10.25247/2447-861X.2019.n246.p196-226

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