PASTORAL POPULAR: PODER OU SERVIÇO?

Cláudio Perani

Resumo


Entendemos por pastoral popular todas as iniciativas de igreja no âmbito das classes populares, nas quais o povo encontra um espaço para assumir sua responsabilidade na vivência de·uma fé comprometida com os problemas da justiça. São as Comunidades Eclesiais de Base, as várias Pastorais da Terra, da Favela, da Periferia, Pastoral Operária..., Movimentos Pastorais de determinadas categorias, Comissões de Direitos Humanos e de Justiça e Paz, Grupos de Assessorias etc, onde o “pastoral”, isto é, a ligação com a igreja, é explicitamente reconhecido. Nesse terreno, atualmente no Brasil bastante rico, dinâmico e diversificado, está em andamento um amplo debate político que acompanha o processo concreto da pastoral popular. Na medida em que as comunidades de base iam surgindo, logo apresentavam-se - além das intenções – como um espaço, não somente de reivindicação social, mas também político, quer dizer como um espaço de contestação do poder seja da Igreja, seja do Estado, seja do Capital. Não há dúvida porém que, depois da reformulação partidária e por ocasião das eleições de novembro de 1982, o discurso político - e não somente o discurso, claro! - entrou plenamente também no âmbito da pastoral. Encontramos vários posicionamentos práticos e teóricos, influenciando-se reciprocamente. Muitas dúvidas e perguntas ficam levantadas e serão equacionadas certamente a partir do desenvolvimento do processo. Queremos contribuir para o debate com estas breves reflexões sobre algumas questões que periodicamente aparecem sobretudo entre os agentes de pastoral popular. Em síntese, pretendemos levantar o problema de como a pastoral popular se relaciona com o político, antecipando desde já nossa preferência por uma inserção a nível das massas e de suas necessidades, mais do que a nível ela articulação dos vários poderes. Evidentemente, nossa perspectiva deseja assumir o ponto de vista da Igreja que nasce dos Pobres, quer dizer, de uma Igreja que denuncia os opressores e que se solidariza com os oprimidos, comprometida com seu processo de libertação. O enfoque pretende ser teológico, considerando o que cabe à pastoral enquanto pastoral; isso não significa eliminar uma análise política, sempre necessária - em todo caso, sempre explícita ou implicitamente presente - mas, além dela, recorrer a critérios evangélicos que fundamentam a missão da Igreja e seu modo de realizá-la.

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DOI: http://dx.doi.org/10.25247/2447-861X.2009.n233.p43%20-%2053

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