LIBERTAÇÃO E ESPIRITUALIDADE

Cláudio Perani

Resumo


Numa perspectiva de fé, não é difícil reconhecer o sopro do Espírito que atingiu a América Latina. No Brasil e nos outros países do continente assistimos à renovação de uma '"igreja que nasce do povo", de uma igreja que opta pelos pobres e toma-se "igreja dos pobres", entendida não como igreja paralela, mas como centro renovador e integrador da igreja toda. E uma caminhada, ainda iniciante, com todos os limites de um processo humano, mas já dá para perceber os frutos: recria-se a igreja, suas estruturas, funções e mentalidade são renovadas, opera-se uma mudança, uma conversão, uma "passagem", em sentido bíblico. Tal renovação - necessariamente - atinge também a espiritualidade, quer dizer, o caminho concreto do encontro com Deus, da procura e da manifestação do Espírito, da compreensão e vivência da fé. Na tradição católica, espiritualidade é o caminho da perfeição que se resume na vivência do único mandamento; "amar a Deus e ao próximo". Quer iluminar a relação pessoal do homem com Deus, considerando a globalidade da existência cristã. Se existe uma única espiritualidade cristã, no sentido de assumir os dados fundamentais do Evangelho, ao mesmo tempo as realizações concretas da vivência evangélica podem variar historicamente. Hoje, na América Latina, surge um novo caminho, uma nova luz se manifesta. Para muitos há como uma passagem das trevas para a luz; antes, no depoimento de muitos - apesar de várias praticas espirituais - não se enxergava, parecia tudo correr bem ao próprio redor. Nas palavras do profeta: ''Exclamam: Tudo vai bem! Tudo vai bem! quando tudo vai mal" (Jer 6,14). Agora descobre-se a injustiça, o pecado, a equivocidade da própria situação e se quer mudar. Há várias experiências em diversos lugares, no Brasil e na América Latina toda, diferentes entre si, mas também apresentando coincidências reveladoras. Experiências cristãs vividas antes de serem refletidas, mas que demonstram que o Espírito do Senhor está presente em nossa história. Sobre tais experiências queremos refletir, não para sistematizá-las numa doutrina fechada, mas simplesmente para recolhê-las, aprofundar certos itens, com a intenção de prestar um serviço e incentivar a procura. Também porque há dúvidas e acusações que podem dificultar a descoberta do Senhor. Afirma-se que diminui a oração e desaparece a vida espiritual e que há uma demasiada insistência no aspecto sócio-político; há o medo que valorizando os pobres se esqueça a Deus. Esse breve artigo, que pretende dirigir-se prioritariamente aos agentes de pastoral, é por isso limitado aos dados e ao enfoques relativos às experiências de padres, freiras e leigos comprometidos com a pastoral popular, sem excluirmos lideranças populares comprometidas no trabalho. Apesar de o povo, em sua vivência de fé, ser referência fundamental, aqui não se diz nada da espiritualidade dos camponeses, operários, moradores de bairros populares, etc. Seria importante para caracterizar o que podemos chamar de "espiritualidade da libertação". É o limite da nossa perspectiva.

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DOI: http://dx.doi.org/10.25247/2447-861X.2009.n233.p140%20-%20149

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Cadernos do CEAS: Revista Crítica de Humanidades
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