AS RELAÇÕES DA IGREJA CATÓLICA COM OS MOVIMENTOS SOCIAIS DO CAMPO: A ÉTICA DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E O ESPÍRITO DO SOCIALISMO NO MST

Antonio Julio de Menezes Neto

Resumo


As relações entre religião, ideologia e organização social camponesa tem sido objeto de estudos na Sociologia contemporânea. A história mostra lutas camponesas motivadas e impulsionadas pela motivação religiosa , assim como mostra o papel das religiões no conformismo e na conformação de novas éticas, como o clássico trabalho de Max Weber acerca da ética protestante no início do capitalismo. Quase sempre vinculada ao poder dominante, às igrejas, hegemonicamente, buscaram adequar os sujeitos sociais às normas das sociedades nas quais eles se encontravam. Mas, contraditoriamente, ao longo da história, são diversos os movimentos de cunho religioso que se engajaram nas lutas pela terra e pelo direito ao trabalho humano com dignidade. Nas últimas décadas, tivemos na América latina o fenômeno da Teologia da Libertação, um movimento religioso muito vinculado às lutas populares e que buscou nas análises socialistas, especialmente no marxismo, o escopo material para as suas análises sociais e econômicas. Este movimento ganhou força nas organizações populares no campo e esteve na origem do mais importante movimento social do Brasil nos últimos vinte anos: o MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Porém, desde os anos noventa, uma nova leva conservadora fez com que a Teologia da Libertação recuasse e que outros movimentos ganhassem espaços nas organizações religiosas. Neste sentido, assistimos ao crescimento de igrejas pentecostais evangélicas, hegemonicamente vinculadas ao lado espiritual e pouco preocupadas com as lutas políticas comprometidas com a transformação social. Do mesmo modo, na Igreja Católica, há um forte movimento de encontro com as práticas evangélicas citadas acima, no movimento denominado “carismático”, ao lado do fortalecimento hierárquico da “Opus Dei”, dentre outros de cunho conservador. Mas, mesmo neste contexto, ainda assistimos ao apoio de diversos religiosos e de parte das igrejas para as lutas populares assim como assistimos ao MST avançando em suas lutas, mesmo com a crise da Teologia da Libertação e da idéia socialista, tão presentes na história deste movimento social.

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DOI: http://dx.doi.org/10.25247/2447-861X.2008.n232.p27%20-%2036

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